Tipologia Textual

As Políticas de Segurança Pública no Brasil

 

       O problema da segurança não pode estar apenas restrito ao repertório tradicional do direito e das instituições da justiça, particularmente, da justiça criminal, presídios e polícia. O Estado deve fortalecer a capacidade de gerenciar a violência no âmbito das políticas públicas de segurança. Deve também expandir o contato das instituições públicas com a sociedade civil na luta por segurança e qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Esta parceria entre o Estado e a sociedade civil é essencial para a criação de um novo referencial que veja na segurança espaço importante para a consolidação democrática e para o exercício de um controle social da segurança. O Estado, através da segurança pública, estabelece regras, programas, ações e mecanismos para a manutenção da ordem pública e controle da criminalidade, preventiva ou repressivamente, com a utilização das polícias e o auxílio dos cidadãos. Ou seja, os serviços públicos de segurança, tanto de natureza policial quanto não policial, devem buscar estabelecer, aperfeiçoar e manter, conjunta e permanentemente, um sentimento coletivo de segurança.

DAMÁZIO, Daiane da Silva. O Sistema Prisional no Brasil: problemas e desafios para o serviço social. Disponível em: <http://tcc.bu.ufsc.br/Geografia283197.pdf>. Acesso em: 1o out. 2019, com adaptações.

 

1. Com relação à tipologia, percebe-se que

(A) Os dois primeiros períodos correspondem à tese de um texto dissertativo-argumentativo, em que se apresenta um ponto de vista acerca da segurança em geral.

(B) O parágrafo é injuntivo, visto que pretende convencer o leitor da importância da parceria entre o Estado e a sociedade civil na consolidação democrática.

(C) O parágrafo corresponde à introdução de um texto narrativo, em que se apresenta a história da segurança pública no Brasil e da consolidação da democracia.

(D) O texto é predominantemente descritivo, uma vez que objetiva caracterizar, de forma detalhada, a segurança pública no Brasil.

(E) O texto é expositivo e argumentativo, já que, além de informar o leitor quanto à segurança pública no Brasil, apresenta opinião a respeito do tema

 [...]

Aos domingos, quando Zana me pedia para comprar miúdos de boi no porto da Catraia, eu folgava um pouco, passeava ao léu pela cidade, atravessava as pontes metálicas, perambulava nas áreas margeadas por igarapés, os bairros que se expandiam àquela época, cercando o centro de Manaus. Via um outro mundo naqueles recantos, a cidade que não vemos, ou não queremos ver. Um mundo escondido, ocultado, cheio de seres que improvisavam tudo para sobreviver, alguns vegetando, feito a cachorrada esquálida que rondava os pilares das palafitas. Via mulheres cujos rostos e gestos lembravam os de minha mãe, via crianças que um dia seriam levadas para o orfanato que Domingas odiava. Depois caminhava pelas praças do centro, ia passear pelos becos e ruelas do bairro da Aparecida e apreciar a travessia das canoas no porto da Catraia. O porto já estava animado àquela hora da manhã. Vendia-se tudo na beira do igarapé de São Raimundo: frutas, peixe, maxixe, quiabo, brinquedos de latão. O edifício antigo da Cervejaria Alemã cintilava na Colina, lá no outro lado do igarapé. Imenso, todo branco, atraía o meu olhar e parecia achatar os casebres que o cercavam. [...]. Mirava o rio. A imensidão escura e levemente ondulada me aliviava, me devolvia por um momento a liberdade tolhida. Eu respirava só de olhar para o rio. E era muito, era quase tudo nas tardes de folga. Às vezes Halim me dava uns trocados e eu fazia uma festa. Entrava num cinema, ouvia a gritaria da plateia, ficava zonzo de ver tantas cenas movimentadas, tanta luz na escuridão. [...].

(HATOUM, Milton. Dois irmãos. 19. reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 59-60.)

 

2. Assinale a alternativa que indica corretamente a sequência tipológica que predomina no texto:

a) descritiva. Verbos de estado e no pretérito imperfeito, associados a enumerações e a adjetivações, mostram cenas de Manaus sob o ponto de vista do enunciador do texto.

b) narrativa. Verbos de ação, associados a marcadores temporais, são responsáveis por mostrar o percurso feito pelo narrador na cidade e os conflitos por ele ali vividos.

c) dissertativo-argumentativa. O enunciador utiliza informações, fatos e opiniões para convencer o interlocutor de que a cidade que não se vê também deve ser considerada importante.

d) injuntivo-instrucional. O enunciador se vale do apelo para instruir o interlocutor sobre os caminhos possíveis para se conhecer a cidade de Manaus que não se vê.

No consultório:

- Doutor, todas as noites eu vejo crocodilos azuis.

- Você já viu um psicólogo?

- Não, não. Só crocodilos azuis.

 

3. A tipologia textual predominante no texto acima é: 

a) descritiva.

b) argumentativa.

c) informativo.

d) injuntivo.

e) narrativa.

Baruch Spinoza, inspirado em Maquiavel, diz que um poder sem leis é quimera. Contudo, observa ele, os líderes não podem impor aos dirigidos coisas absurdas e revoltantes. Explica Spinoza em seu Tratado Político: “É impossível aos governantes e seu poder público violar ou menosprezar abertamente as leis por eles mesmos estabelecidas e, mesmo assim, manter sua majestade, pois tais atos transformam o temor em indignação e o estado civil em estado de guerra”.

O autoritarismo pode ser compreendido como a tentativa de impor às pessoas posturas que neguem sua força mental. Na democracia, argumenta Spinoza em outro livro, o Tratado Teológico-Político, “é quase impossível que a maioria dos homens concorde com algum absurdo”, porque nela “ninguém transfere seu direito natural a outro, de tal modo que não seja mais consultado”. O regime democrático “mostra quanto é útil a liberdade no estado”.

Sem a democracia, conclui o filósofo holandês naquela mesma obra, “os que governam o estado ou dele se tornam donos sempre se esforçam para tingir os crimes cometidos com uma aparência de direito e persuadir o povo de que agiram honestamente; eles conseguem facilmente tal coisa se a interpretação do direito só depende deles. Pois é claro que de semelhante direito eles arrancam grande licença para fazer o que desejam e seu apetite exige. Uma grande parte da licença lhes é subtraída se o direito de interpretar as leis pertence a outros e sua interpretação verdadeira é manifesta e incontestável para todos”.

Em um estado onde reina a democracia, ninguém, sobretudo os governantes, tem licença para impor seus fins e doutrinas à cidadania. A situação piora, segundo Spinoza, se a imposição de atitudes e crenças se faz em proveito de quem ocupa os palácios.

(Roberto Romano – Veja especial 45 anos, setembro 2013, p. 106 –trecho)

 

 

4. Quanto à tipologia, o texto de Roberto Romano apresenta-se como predominantemente dissertativo, uma vez que

a) o produtor analisa, interpreta, explica e avalia os dados da realidade com termos abstratos; é um texto temático.

b) é um texto figurativo e os enunciados revelam uma relação de anterioridade e posterioridade ao registrar mudanças de situação.

c) há um encadeamento de figuras e a contraposição de recursos figurativos dispostos numa progressão temporal.

d) o produtor do texto expõe propriedades de um ser particular, transmitindo uma visão positiva X negativa sobre o assunto.

Quase 40% dos paraibanos vivem com meio salário mínimo

 

Em comparação com o ano de 2016, houve uma diminuição no número de pessoas que recebem até R$ 477 mensais, caindo de 40,5% para 38,4%. 

 Por Redação - 5 de dezembro de 2018 

 

     Quase 40% (38,4%) da população paraibana vive com apenas meio salário mínimo (R$ 477) por mês. O dado faz parte da Síntese de Indicadores Sociais, com base de dados de 2017, divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

     Conforme o estudo, feito em 1.278 domicílios, em comparação com o ano de 2016, houve uma diminuição no número de pessoas que recebem até R$ 477 mensais, caindo de 40,5% para 38,4%.

Em 2017, 1% da população não possuía renda; 15,7% possuíam renda entre zero e um quarto do salário mínimo; 21,7% possuíam renda entre ¼ e meio salário mínimo.

    O estudo constatou que 0,5% da população não possuía renda em 2017; 17,3% possuíam renda entre zero e ¼ do salário mínimo; 22,7% possuíam renda entre um quarto e meio salário mínimo.

     A Síntese de Indicadores Sociais também verificou quais são as fontes de renda dos paraibanos que vivem abaixo ou na linha da pobreza. Em 2017, para quem tinha renda de até um quarto de salário mínimo, a fonte principal era o próprio emprego (48,7%); aposentadoria por pensão (5,1%); e outras fontes (46,2%). 

Disponível em: https://portalcorreio.com.br/quase-40-dosparaibanos-vivem-com-meio-salario-minimo/. Acesso em 14 set 2019 (Adaptada)

 

5. Em relação à tipologia textual, é correto afirmar que o texto é predominantemente:

(A) Narrativo

(B) Expositivo.

(C) Descritivo.

(D) Injuntivo.

(E) Argumentativo.

6. Nos textos, predomina um mesmo tipo de sequência textual. Esse tipo é identificado e definido, respectivamente, como:

a) injuntivo – apresentação de procedimentos a serem seguidos, a fim de se alcançar determinado objetivo.

b) narrativo – reconstrução de uma sequência de acontecimentos ancorada no espaço e no tempo.

c) descritivo – detalhamento de objetos e paisagens com vistas à ambientação de ações.

d) argumentativo – defesa de um argumento para persuadir alguém a aderir a um ponto de vista.

e) expositivo – explicitação de fatos e ideias, a fim de justificar determinados conteúdos.

O jovem e os cientistas, por uma narrativa que inclua o ser humano concreto

Isso se faz conectando disciplinas, como preconiza Edgar Morin

 

[...] É assustador saber que 93% dos jovens brasileiros não conhecem o nome de um cientista brasileiro, de acordo com pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, divulgado na semana passada.

Em resposta a isso, alguns lembram a carência de professores que temos nas áreas científicas do ensino médio, particularmente em física e química.

Na verdade, embora ocorra, de fato, falta de professores, o problema é mais complexo. Para além da carência de mestres, trata-se da forma como ensinamos história e, em especial, a história da ciência no país.

É como se houvesse um determinismo histórico absoluto, em que processos econômicos governassem os fatos, sem interferências da subjetividade.

Assim, alunos perdem a chance de compreender que somos nós, seres humanos, claro que em condições dadas, que individual ou coletivamente construímos comunidades, nações e instituições.

Foram pessoas singulares que fizeram pesquisas, desvendaram os fenômenos da natureza e criaram soluções para os mais diferentes desafios enfrentados pela humanidade, inclusive no Brasil.

No passado, padecemos do fenômeno oposto e as aulas se tornavam um recital de nomes e fatos a serem memorizados. Mas ao romper com uma abordagem equivocada, caímos muitas vezes no outro extremo. E, com isso, ao enfatizar processos frente a pessoas, o ensino de história patina.

É urgente integrar os enfoques e ensinar aos jovens, desde o ensino fundamental, sobre a incrível aventura de seres humanos concretos no planeta, inclusive formulando hipóteses e produzindo conhecimento. Isso se faz, inclusive, conectando disciplinas, como preconiza Edgar Morin, em seu clássico "Religando os Saberes", em que analisa a escola secundária francesa.

Felizmente, a Base Nacional Comum Curricular avança nesta direção e possibilita que se aprenda em todo o país sobre as contribuições de nomes como Oswaldo Cruz, Adolpho Lutz, Carlos Chagas, Mario Schenberg e o recentemente premiado físico e cosmólogo Marcelo Gleiser, entre outros. A possibilidade de um ensino que construa convergências entre matérias possibilitaria também assegurar que crianças e jovens aprendam mais sobre brasileiros que se destacaram em geografia, como Milton Santos, ou artistas nossos de renome, como Tarsila do Amaral

E, assim, os alunos terão condições de entender as relações de produtores de conhecimento com seu tempo e imaginar cenários futuros em que eles possam ser cientistas, artistas ou nomes que contribuam para a construção de um país melhor e mais bonito.

COSTIN, Cláudia. Colunas e Blogs. Folha de S. Paulo. 5 jul. 2019. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudia-costin/2019/07/o-jovem-e-os-cientistas-por-uma-narrativa-que-inclua-o-ser-humano-concreto.shtml> . Acesso em: 5 jul. 2019. (Adaptado).

 

7. Como o texto é um artigo de opinião, o aspecto gramatical que nele concorre, de modo efetivo e evidente, para a construção da opinião do produtor do texto, é:

a) a recorrência a autoridades, como o “Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia” e “Edgar Morin”, como forma de comprometer-se com o que é dito.

b) a utilização de sequenciadores aditivos, como “para além de” e “e”, que conectam fato e opinião no mesmo enunciado.

c) o uso de expressões, como “é assustador”, “é urgente”, seguidas do restante do enunciado, porque sinalizam ponto de vista.

d) o emprego de estruturas em primeira pessoa, como “somos” e “construímos”, como forma de o enunciador incluir-se nos processos.

1- E     2- A     3- E     4- A     5- B    6- A       7- C

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